Innovability®: como a Enel fundiu inovação e sustentabilidade em uma única unidade que reporta ao CEO
Com EBITDA de €19,2 bilhões, 91,2 GW instalados e presença na América Latina, a Enel fundiu suas áreas de inovação e sustentabilidade em uma única função reportando diretamente ao CEO. Como essa mudança estrutural aconteceu.
Innovability®: como a Enel fundiu inovação e sustentabilidade em uma única unidade que reporta ao CEO
A Enel Group é uma multinacional italiana de energia com mais de 70 milhões de usuários finais no mundo e mais de 91,2 gigawatts de capacidade líquida total instalada. Fundada em 1962, opera hoje em mercados de energia de 30 países em cinco continentes, com foco específico em Europa, América Latina e América do Norte — o que torna este caso particularmente relevante para empresas de energia na região. Em 2021, a Enel reportou um EBITDA de €19,2 bilhões, com mais de 75 milhões de clientes e aproximadamente 45 milhões de medidores inteligentes instalados.
A transformação estrutural de 2014 — o momento que mudou tudo
Giulia Genuardi, Chefe de Planejamento de Sustentabilidade, Gestão de Desempenho e Direitos Humanos da Enel, descreve o momento exato da transformação: em maio de 2014, quando Francesco Starace foi nomeado novo CEO da Enel. A empresa decidiu mudar sua estrutura e abordagem à sustentabilidade — que até então fazia parte do departamento de Relações Externas.
Starace criou um novo departamento que unia inovação e sustentabilidade em uma única função, chamada Innovability® — reportando diretamente ao CEO. A mesma mudança estrutural ocorreu no nível de cada país onde a Enel opera, incorporando uma cultura de inovação e sustentabilidade em toda a organização.
Como Genuardi explica a lógica por trás dessa fusão: "Para a Enel, inovação e sustentabilidade são fundamentais e interdependentes: sustentabilidade requer inovação contínua e, para que a inovação seja genuinamente útil, ela precisa ser sustentável. Também acreditamos que, se inovação e sustentabilidade forem combinadas, podem levar a soluções que realmente mudam o mundo."
De compliance ambiental a filantropia social — depois a transformação real
A jornada da Enel não começou em 2014 — começou décadas antes, mas seguiu o padrão evolutivo clássico que este mês temos documentado repetidamente. No início, o foco de sustentabilidade da empresa estava em compliance ambiental — dado que parte central do negócio envolvia construir usinas em várias regiões globalmente, a prioridade era autorização e certificação ambiental exigidas para o desenvolvimento de suas plantas.
Nos anos seguintes, a empresa adotou uma abordagem diferente, além de compliance — o início da Responsabilidade Social Corporativa (RSC) da Enel. Em 2004, a Enel tornou-se membro do Pacto Global da ONU, e a partir de 2002 começou a estabelecer códigos de conduta publicamente disponíveis (Código de Ética, plano de Tolerância Zero à Corrupção, e Política de Direitos Humanos).
Foi somente com a chegada de Starace em 2014 que a empresa deu o salto estrutural completo — de RSC periférica para sustentabilidade genuinamente integrada à governança corporativa central.
A mudança de nome que sinalizou uma mudança de mentalidade
Um detalhe organizacional revelador: em 2014, a equipe de Genuardi passou por uma transição que viu o nome do departamento mudar de "Relatório de Sustentabilidade" para "Planejamento de Sustentabilidade, Gestão de Desempenho." Mais que uma mudança de nome, o novo título sinalizou uma nova abordagem de como a liderança da Enel estava pensando sobre sustentabilidade como um fator transformador de jogo — não apenas uma obrigação de reporte retrospectivo, mas uma função de planejamento prospectivo baseada em dados robustos.
A evolução mais recente do nome da unidade — agora "Planejamento de Sustentabilidade, Gestão de Desempenho e Direitos Humanos" — traz o lado social da equação de forma ainda mais evidente.
A arquitetura de governança específica — com dupla linha de reporte
O modelo de governança corporativa da Enel garante que questões de sustentabilidade sejam adequadamente consideradas em todos os processos relevantes de tomada de decisão corporativa, através de uma estrutura específica: a Função Innovability® (Inovação e Sustentabilidade) reporta diretamente ao Diretor Executivo (CEO). Mas há um detalhe estrutural adicional importante: a unidade de Planejamento de Sustentabilidade e Gestão de Desempenho e Direitos Humanos, responsável pela gestão de processos de planejamento, monitoramento e relatório de sustentabilidade — incluindo conformidade com a taxonomia europeia e gestão de ratings ESG — também reporta ao Diretor Financeiro do Grupo (CFO), especificamente para garantir integração cada vez maior dessas questões nas estratégias e relatórios corporativos.
Essa dupla linha de reporte (CEO + CFO) é uma escolha estrutural deliberada — não uma duplicação acidental — desenhada especificamente para garantir que sustentabilidade não viva isolada da estratégia executiva nem dos números financeiros centrais da empresa.
Como funciona a nível local — relevante para operações na América Latina
Dado o alcance global das operações da empresa, Genuardi destaca que a abordagem orientada à sustentabilidade se baseia em identificar os principais fatores sociais, econômicos e ambientais dos diferentes países, compartilhar com as comunidades locais, e ouvir constantemente as necessidades dos stakeholders envolvidos. Isso permite antecipar necessidades futuras e desenvolver um mapeamento tão completo quanto possível dos impactos que as atividades do Grupo têm nas comunidades e territórios onde está presente.
Estruturas dedicadas de sustentabilidade existem em todos os países, Linhas de Negócio e Funções de Serviço Global — o que significa que uma operação da Enel na América Latina não segue um manual genérico global, mas desenvolve planos de sustentabilidade específicos alinhados à estratégia do Grupo, mas informados pela realidade local.
O propósito que orienta tudo: "Open Power"
O propósito da Enel é "Open Power for a brighter future: capacitamos o progresso sustentável" — onde "Open Power" significa abrir o acesso à energia. Genuardi articula a missão em quatro dimensões específicas: "Estamos abrindo o acesso à energia para mais pessoas. Estamos abrindo o mundo da energia para novas tecnologias. Estamos abrindo novas formas para as pessoas gerenciarem energia. Estamos abertos a novas parcerias."
A lição estrutural para empresas de energia e utilities na América Latina
O caso Enel oferece um modelo replicável específico: fusão estrutural de inovação e sustentabilidade em uma única função (não dois departamentos separados competindo por recursos), reporte direto ao CEO (não a uma função de comunicações ou RSC subordinada), dupla linha adicional ao CFO para a unidade específica de planejamento e reporte (garantindo integração com finanças), e estruturas dedicadas replicadas em cada país em vez de um comando central genérico.
Para uma utility ou empresa de energia latino-americana, particularmente uma com múltiplas operações regionais, esta arquitetura de governança — testada em uma empresa que já opera diretamente na região — oferece um modelo mais diretamente aplicável do que casos de setores completamente diferentes.
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Fusão de funções, linhas de reporte diretas ao CEO e CFO, e estruturas locais replicadas — o mesmo tipo de arquitetura organizacional deliberada que a Enel implementou a partir de 2014, adaptada à escala de uma PME.
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A mudança de "Relatório" para "Planejamento" de Sustentabilidade que a Enel fez em 2014 — de retrospectivo para prospectivo, baseado em dados robustos e contínuos.
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Perguntas frequentes
Por que a unidade de sustentabilidade da Enel reporta tanto ao CEO quanto ao CFO? São funções diferentes dentro da mesma área: a função Innovability® mais ampla (inovação e sustentabilidade) reporta ao CEO como prioridade estratégica central; a unidade específica de planejamento, monitoramento e relatório (incluindo ratings ESG e conformidade regulatória) também reporta ao CFO especificamente para garantir integração com processos financeiros e de reporte corporativo.
A estrutura "Innovability®" da Enel é replicável em empresas menores? O princípio central — fundir inovação e sustentabilidade em vez de tratá-las como departamentos separados e competindo por recursos, com reporte direto à liderança executiva — é aplicável em qualquer escala, mesmo que o nome específico ou a estrutura de dupla linha de reporte precise ser simplificada para uma organização menor.
O que significa a mudança de "Relatório de Sustentabilidade" para "Planejamento de Sustentabilidade"? Reflete uma mudança de mentalidade de tratar sustentabilidade como uma obrigação de documentação retrospectiva (o que já aconteceu) para uma função de planejamento estratégico prospectivo (o que vai acontecer) — baseada em dados robustos e contínuos, não em relatórios anuais isolados.
Fontes: Taticchi, P., Demartini, M. & Corvaglia-Charrey, M., "Enel," em Sustainable Transformation Strategy: Casebook on Corporate Sustainability in Practice (Springer, 2023); Sustek.co Sustainability Transformation Tiers (sustek.co/services).
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