11 pessoas, 15 coordenadores: como a Leonardo estruturou sua equipe de sustentabilidade para realmente funcionar
A gigante aeroespacial Leonardo, celebrando 70 anos em 2018, documentou publicamente como estruturou sua equipe de sustentabilidade — do nível corporativo até 15 coordenadores em cada divisão. Um modelo replicável, com citações diretas.
11 pessoas, 15 coordenadores: como a Leonardo estruturou sua equipe de sustentabilidade para realmente funcionar
Uma pergunta que raramente recebe resposta específica na literatura de sustentabilidade corporativa: como, estruturalmente, uma equipe de sustentabilidade deveria ser organizada dentro de uma empresa grande e complexa? O caso da Leonardo — gigante aeroespacial e de defesa italiana que celebrou seu 70º aniversário em 2018 — documentado no casebook de Taticchi, Demartini e Corvaglia-Charrey, oferece uma resposta incomumente específica e replicável, com citações diretas de quem lidera essa estrutura.
A arquitetura de dois níveis, com números exatos
A estrutura que a Leonardo desenvolveu opera em dois níveis interconectados:
Nível corporativo: uma equipe central de sustentabilidade composta por 11 funcionários, posicionada especificamente dentro da unidade de Tecnologia e Inovação da empresa — não isolada em uma função de comunicação ou relações públicas, mas integrada à área que efetivamente gera as capacidades técnicas da organização. Renata Mele, que faz parte dessa equipe como Vice-Presidente Sênior de Sustentabilidade, espera que esse número cresça até o final de 2022 — um detalhe que revela investimento contínuo, não uma estrutura estática montada uma vez e esquecida.
Nível divisional: 15 Coordenadores de Sustentabilidade que trabalham diretamente dentro das divisões da empresa, entidades legais, e unidades corporativas específicas — responsáveis pela implementação real das iniciativas relacionadas às competências e áreas específicas de cada unidade, incluindo coleta de dados e desenvolvimento de programas.
A função exata da equipe corporativa
A equipe central de 11 pessoas cobre uma ampla gama de funções: engajamento de stakeholders, gestão do Plano de Sustentabilidade, estratégia ambiental, e análise de dados. Não é uma equipe de comunicação verificando caixas de cumprimento — é uma equipe técnica com responsabilidades operacionais específicas e mensuráveis.
A decisão deliberada sobre quem NÃO lidera o relatório integrado
Um detalhe estrutural particularmente instrutivo: apesar de a Equipe de Sustentabilidade liderar toda a análise de dados ESG, ela não é responsável por desenvolver o Relatório Integrado final da empresa. Dado o enfoque da empresa em Relatório Integrado, essa função é liderada pela Equipe Financeira da organização — com a análise de dados ESG da equipe de sustentabilidade alimentando diretamente esse processo.
Essa escolha estrutural reflete um princípio importante que o próprio casebook destaca: assim como a abordagem da empresa ao relatório, a Equipe de Sustentabilidade da Leonardo está muito interconectada com a divisão financeira da empresa — refletindo integração real entre dados ESG e reporte financeiro central, em vez de tratá-los como processos paralelos e desconectados.
Como as decisões estratégicas realmente se conectam aos dados — na voz da própria executiva
Refletindo sobre a jornada de sustentabilidade da Leonardo e o caminho à frente, Renata Mele enfatiza algo que vale citar diretamente, pela precisão com que descreve a maturidade real do processo: "Apoiando-nos cada vez mais no Framework ESG, estamos cada vez mais nos referindo a fatores ESG para tomar decisões sobre onde precisamos focar nossos esforços. Conforme continuamos nossa jornada de transformação sustentável, estamos coletando dados que se relacionam diretamente às várias dimensões das iniciativas ESG, e estamos comprometidos em usar esses dados para guiar nossas prioridades e decisões de investimento. Tomar decisões informadas, guiadas por dados, continuará sendo uma prioridade para nossa organização daqui para frente."
Esta citação é o mecanismo prático através do qual a arquitetura organizacional se traduz em decisões estratégicas reais — não apenas em relatórios após o fato, mas em prioridades de investimento decididas com base em dados ESG coletados continuamente pelos 15 coordenadores divisionais.
O contexto histórico: 70 anos de legado técnico
Em 2018, a Leonardo celebrou o 70º aniversário da empresa — uma ocasião que proporcionou a oportunidade de refletir sobre a jornada e o legado de inovação tecnológica e liderança da companhia. Não por acaso, o nome da empresa remete ao próprio Leonardo da Vinci — e o casebook nota que, assim como seu homônimo, movido por propósito e uma cultura de criatividade e inovação, a Leonardo continua construindo um legado que a conduzirá a um futuro de inovações e soluções tecnológicas e sustentáveis.
O que essa estrutura ensina para empresas de qualquer tamanho
Embora a Leonardo seja uma organização de escala global, os princípios estruturais são replicáveis em qualquer escala:
Primeiro, a equipe central de sustentabilidade deveria estar posicionada perto de onde a capacidade técnica real é gerada — a decisão específica de colocá-la dentro de Tecnologia e Inovação, não isolada em comunicação ou relações públicas.
Segundo, cada unidade operacional significativa precisa de responsabilidade específica e nomeada por sustentabilidade — os 15 coordenadores divisionais, não apenas uma política corporativa geral sem dono claro dentro de cada divisão.
Terceiro, os dados de sustentabilidade devem alimentar diretamente os processos de reporte financeiro e de decisão estratégica central — a interconexão deliberada com a Equipe Financeira, não um relatório de sustentabilidade separado e paralelo ao relatório financeiro real da empresa.
Quarto, a estrutura deve ser tratada como um investimento contínuo e crescente — a expectativa explícita de Mele de que a equipe de 11 pessoas cresça, não um headcount fixo estabelecido uma vez.
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Perguntas frequentes
Minha empresa é pequena demais para ter uma estrutura de dois níveis como a Leonardo? O princípio é escalável — mesmo uma empresa menor pode ter uma pessoa central de sustentabilidade com responsabilidade clara em cada área funcional, aplicando a mesma lógica de responsabilidade distribuída e conectada com finanças, sem precisar dos 15 coordenadores específicos do caso Leonardo.
Por que a equipe de sustentabilidade não deveria liderar o relatório integrado final? No caso da Leonardo, essa escolha reflete a integração real entre dados ESG e processos financeiros centrais — a equipe financeira, que já possui a expertise de reporte formal e auditoria, incorpora os dados ESG fornecidos pela equipe de sustentabilidade, em vez de criar dois processos de reporte paralelos e desconectados.
Quantos "Coordenadores de Sustentabilidade" divisionais uma empresa média precisa? Não existe um número fixo — o princípio da Leonardo é ter responsabilidade nomeada em cada unidade operacional significativa, o que para uma empresa menor pode significar uma pessoa por área funcional principal, em vez dos 15 coordenadores específicos do caso Leonardo, que opera em escala global.
Fontes: Taticchi, P., Demartini, M. & Corvaglia-Charrey, M., "Leonardo," em Sustainable Transformation Strategy: Casebook on Corporate Sustainability in Practice (Springer, 2023); Sustek.co Sustainability Transformation Tiers (sustek.co/services).
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